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Panamá: o roteiro certo para ver 790 espécies de aves em um único dia (e outras migrações incríveis)

Para quem viaja atrás de natureza selvagem, poucos destinos oferecem tanta coisa ao mesmo tempo quanto o Panamá.

Há poucas semanas, o Panamá entrou para o mapa de quem observa aves de um jeito e tanto: em apenas 24 horas, durante o Global Big Day, uma contagem mundial de aves realizada anualmente, na qual observadores de diversos países registram simultaneamente todas as espécies que avistam em um único dia, foram contabilizadas 790 espécies diferentes no país, um número que dá a medida de por que o pequeno istmo centro-americano é considerado uma das maiores “estradas” migratórias do planeta.

Não é um fenômeno isolado. Todos os anos, conforme as estações mudam nas Américas, o Panamá vive uma sequência de eventos naturais que raramente se encontram juntos em um só lugar: milhões de aves cruzando o céu rumo ao norte, tartarugas-de-couro desovando nas praias caribenhas e a floresta tropical explodindo em vegetação nova com as primeiras chuvas. Para quem gosta de planejar viagens em torno da natureza, isso significa uma coisa: dá para montar o roteiro certo, na época certa, e ver de perto o que poucos destinos no mundo oferecem.

Veja como organizar a viagem conforme o que você quer ver.

Para ver aves de rapina em massa: 

Se o objetivo é observação de aves, existem duas janelas boas. Abril marca o pico da migração rumo ao norte, quando espécies como o gavião-papa-gafanhoto e o sanhaçu-escarlate dominam o céu. Já entre setembro e outubro, os números disparam de novo – especialmente entre aves de rapina, que voam em grupos impressionantes.

Dois pontos ficam a poucos minutos da Cidade do Panamá e são referência mundial para quem quer ver isso de perto: a Pipeline Road e o Cerro Ancón. Na Pipeline Road vale a pena subir os 175 degraus da torre de observação do Rainforest Discovery Center – foi de lá, inclusive, que saiu boa parte do recorde do Global Big Day deste ano.

Tucano em Cerro Ancón, Panama City crédito: Visit Panamá

Bocas del Toro, no Caribe panamenho, abre a temporada de desova da tartaruga-de-couro (a maior espécie de tartaruga marinha do mundo) a partir de abril. Playa Bluff e a área úmida de San Pond Sak são os points certos, e o acompanhamento é feito através de programas de conservação locais, como os da Bocas Carey Natural Association e da AAMVECONA, o que garante que a observação seja responsável e não estresse os animais.

Quem prefere o lado do Pacífico tem uma janela bem mais longa: de julho a janeiro, com direito a quatro espécies diferentes (tartaruga-oliva, de-couro, de-pente e verde). O destino mais concorrido é a Isla Cañas, na Península de Azuero, palco das arribadas – desovas em massa em que centenas de tartarugas chegam à praia ao mesmo tempo. Vale a pena checar o calendário de luas antes de fechar a viagem, já que as arribadas costumam se concentrar em determinadas fases lunares.

Para ver a floresta “renascer” e cruzar com o quetzal: 

Com as primeiras chuvas de maio, a Floresta Tropical do Panamá muda de cara quase da noite para o dia – mais verde, mais orquídeas floridas, mais movimento de fauna. Chiriquí, nas terras altas do país, é o point certo nesse período: é quando o quetzal, uma das aves mais cobiçadas por observadores do mundo todo, entra em temporada de acasalamento e fica mais fácil de avistar.

Observação de aves no Parque Nacional Soberanía. Panama Rainforest Discovery Center

Por que o Panamá concentra tanta beleza natural

A resposta está na geografia: o Panamá é a única ponte terrestre entre a América do Norte e a América do Sul, o que faz dele um gargalo natural por onde praticamente toda espécie migratória do continente passa em algum momento do ano. Não à toa, o Smithsonian Tropical Research Institute mantém estações de pesquisa no país – algumas abertas à visitação para quem quiser entender o fenômeno com mais profundidade durante a viagem.

Vale lembrar: as datas variam um pouco ano a ano, então o ideal é confirmar o calendário de cada evento (arribadas, picos migratórios, floração) antes de fechar passagens.


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