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Teatro Amazonas e Theatro da Paz são os novos Patrimônios Mundiais da Unesco

Na madrugada desta segunda-feira (27), o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, foram oficialmente inscritos na Lista do Patrimônio Mundial Cultural da Unesco. A decisão foi tomada durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, reunido em Busan, na Coreia do Sul, e representa um marco: é a primeira vez que um bem cultural localizado na Amazônia brasileira entra para a lista.

De patrimônio nacional a patrimônio da humanidade

Os dois teatros já eram protegidos desde os anos 1960, quando receberam o tombamento do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Agora, sob a designação conjunta “Teatros da Amazônia”, ganham um selo de alcance global, que amplia sua visibilidade internacional e reforça o compromisso com sua preservação.

Segundo o presidente do Iphan, Deyvesson Israel Alves Gusmão, essa conquista histórica reconhece a Amazônia também como geradora de cultura, memória e identidade, não apenas de patrimônio natural.

A candidatura brasileira foi além dos prédios em si: em Manaus, o conjunto reconhecido inclui o Teatro Amazonas e o entorno histórico do Largo de São Sebastião; em Belém, a proposta abrange o Theatro da Paz e a Praça da República. O dossiê brasileiro foi avaliado ao lado de outras 32 candidaturas de diferentes países durante a sessão em Busan.

Teatro Amazonas – Divulgação / Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Herança do ciclo da borracha

Inaugurados em 1878 (Theatro da Paz) e 1896 (Teatro Amazonas), os dois teatros nasceram no auge econômico do ciclo da borracha, quando a riqueza gerada pela extração do látex transformou Manaus e Belém em polos de sofisticação cultural. Idealizados por uma elite seduzida pelos ideais da Belle Époque e erguidos por trabalhadores locais, os dois prédios representavam um mesmo projeto de modernização urbana, inserindo a região amazônica, através de seus rios, em circuitos comerciais e culturais globais.

As duas casas de espetáculo se tornaram algumas das primeiras grandes casas de ópera das Américas, atraindo companhias europeias para temporadas que costumavam passar pelas duas cidades, um intercâmbio cultural sem precedentes na região na época. Arquitetônica e artisticamente, os teatros mesclavam influências e materiais importados da Europa com madeiras e motivos da própria floresta, resultando em uma estética própria, ao mesmo tempo cosmopolita e amazônica.

Com o tempo, os dois teatros extrapolaram o propósito inicial de seus fundadores: além da ópera, passaram a receber manifestações populares brasileiras, do carimbó ao boi-bumbá, do jazz ao cinema, ajudando a formar gerações de artistas e técnicos e impulsionando o turismo local. Hoje, são marcos cívicos e culturais de Manaus e Belém, ao lado das praças que os cercam – o Largo de São Sebastião e a Praça da República, respectivamente -, e se tornam oficialmente o primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte do Brasil.

Theatro Nossa Senhora da Paz (Divulgação)

Brasil chega a 26 sítios na lista da Unesco

Com a inscrição dos Teatros da Amazônia, o Brasil passa a contar com 26 bens na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, 16 culturais, 9 naturais e 1 misto. Veja a lista completa, por ano de inscrição:

Bens culturais

  • 1980: Cidade Histórica de Ouro Preto
  • 1982: Centro Histórico de Olinda
  • 1983: Ruínas de São Miguel das Missões
  • 1985: Centro Histórico de Salvador
  • 1985: Santuário do Bom Jesus do Congonhas
  • 1987: Brasília
  • 1991: Parque Nacional Serra da Capivara
  • 1997: Centro Histórico de São Luís
  • 1999: Centro Histórico de Diamantina
  • 2001: Centro Histórico da Cidade de Goiás
  • 2010: Praça de São Francisco na Cidade de São Cristóvão
  • 2012: Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar
  • 2016: Conjunto Moderno da Pampulha
  • 2017: Sítio Arqueológico do Cais do Valongo
  • 2021: Sítio Roberto Burle Marx
  • 2026: Teatros da Amazônia

Bens naturais

  • 1986: Parque Nacional do Iguaçu
  • 1999: Reservas da Mata Atlântica do Sudeste
  • 1999: Reservas da Mata Atlântica da Costa da Descoberta
  • 2000: Área de Conservação do Pantanal
  • 2000: Complexo de Conservação da Amazônia Central
  • 2001: Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas Fernando de Noronha e Atol das Rocas
  • 2001: Unidades de Conservação do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas
  • 2024: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
  • 2025: Cânion do Rio Peruaçu

Bem misto

  • 2025: Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade

Para quem viaja pela Amazônia, o novo selo é mais um motivo para incluir Manaus e Belém no roteiro, e conferir de perto dois palcos que testemunharam, há mais de um século, o encontro entre a floresta e a Europa.


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