No coração do Silicon Valley, uma cidade construída por imigrantes aposta na gastronomia como passaporte para o mundo e usa a Copa do Mundo de 2026 como palco para contar essa história.
Em conversa com France Wong, diretora de Comunicações do Visit San Jose, durante o IPW 2026 em Fort Lauderdale, a primeira coisa que ficou clara foi o seguinte: San Jose tem muita história para contar e belezas para mostrar.
A cidade que o mundo conhece como Capital do Silicon Valley, endereço de gigantes da tecnologia, berço de startups bilionárias, guarda uma outra identidade, construída não em servidores ou linhas de código, mas em fogões, receitas de família e histórias de quem cruzou oceanos para recomeçar. É sobre essa San Jose que France veio falar.
“Se não fosse por eles, San José não seria o que é hoje”, disse ela, referindo-se às comunidades imigrantes que moldaram a identidade cultural da cidade ao longo de décadas. É uma afirmação que vai muito além do discurso institucional, é a base da estratégia de turismo que San Jose leva para o mundo em 2026.

Santana Row Dining / Historic Bank of Italy Building
O CONCEITO CENTRAL
“Heritage cooking”: a cozinha como arquivo vivo da história imigrante
A cozinha como narrativa
O foco da cidade para 2026 tem nome: heritage cooking. A proposta é usar a gastronomia como porta de entrada para a história real de San José, uma cidade que abriga a maior comunidade vietnamita fora do Vietnã, um dos três Japantowns ainda existentes nos Estados Unidos, além de comunidades mexicanas, somalis, filipinas, indianas e coreanas, entre muitas outras.
A pergunta que norteia a curadoria gastronômica da cidade é simples e poderosa: o que significa ser imigrante? E quem melhor para responder do que os chefs que carregam nas mãos as receitas de seus países de origem, adaptadas à realidade americana sem perder a alma?
San José não quer vender apenas refeições. Quer vender encontros, com culturas, com memórias, com a humanidade de quem recomeçou a vida longe de casa e fez disso uma contribuição para toda uma cidade.

San Jose Square-Market
crédito: sanjose.org

Littlest Little Italy
Copa do Mundo como janela
O timing não poderia ser melhor. Com a FIFA World Cup 2026 em curso e San José como uma das cidades-sede da Bay Area, com jogos no Levi’s Stadium, a cidade vive um momento único de visibilidade internacional. A expectativa é receber uma enxurrada de visitantes de diferentes países, exatamente o público mais receptivo à proposta multicultural do destino.
O programa “Kick Off in the Districts” levou festividades da Copa para os 11 distritos culturais da cidade, do Little Saigon ao Japantown, do Mexican Heritage Plaza ao Alum Rock, transformando cada bairro em um ponto de encontro entre futebol e identidade cultural. Uma estratégia que conecta o espetáculo esportivo à experiência autêntica de cidade.
Por que o brasileiro deveria ir?
France Wong recomenda ao menos quatro dias em San José, tempo suficiente para entender que a cidade não é um destino de passagem rumo ao restante da Califórnia, mas um destino em si.
Para o viajante brasileiro, a cidade oferece algo difícil de encontrar nos grandes destinos americanos: uma escala humana. Ruas que convidam a caminhar, bairros com alma, restaurantes onde o chef também é o dono e a receita tem história. Numa era em que o viajante busca experiências que transcendam o turismo de superfície, San José entrega exatamente isso, sem fila, sem multidão e com uma mesa sempre pronta.
Informações: sanjose.org ·
Reunião com France Wong, Diretora de Comunicações do Visit San Jose, durante o IPW 2026 em Fort Lauderdale.
Marcela Miranda, Brasil Travel News





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