A um passo do início da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece de quarta-feira a domingo (26), o público já demonstra grande apetite por tudo o que envolve o evento. Um levantamento da Taboola, empresa de tecnologia publicitária, mostra picos expressivos de leitura e atenção sobre autores, homenageados e mesas de debate ligados à programação deste ano -com destaque especial para a homenageada da edição, a poeta paulista Orides Fontela, vencedora do Prêmio Jabuti em 1983 e do prêmio APCA em 1996, por Teia.
Criada em 2003 pela editora britânica Liz Calder, a Flip nasceu inspirada em festivais literários europeus, como o Hay Festival, e rapidamente se consolidou como o principal evento literário do país, hoje reconhecido como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Rio de Janeiro. Ao longo de mais de duas décadas, já recebeu nomes como José Saramago, Toni Morrison e Salman Rushdie, e já inspirou outras centenas de festas literárias Brasil afora. O centro histórico colonial de Paraty, com seu casario português e ruas de pedra às margens do Perequê-Açu, é parte inseparável da experiência: durante os dias de festa, a cidade inteira se transforma em palco, com tendas, saraus e atividades espalhadas por igrejas, casarões e livrarias.
A homenageada da edição
Nascida em São João da Boa Vista (SP) em 1940, Orides Fontela começou a escrever poemas ainda criança e teve seus primeiros versos publicados aos 16 anos no jornal de sua cidade natal. Formada em filosofia pela USP, construiu uma obra enxuta e densa – apenas seis livros ao longo da vida, marcada por versos curtos, linguagem depurada e reflexões existenciais sobre tempo, linguagem e ser. Reconhecida por críticos como Antonio Candido e Davi Arrigucci Jr., a poeta viveu boa parte da vida com dificuldades financeiras e morreu em 1998, em Campos do Jordão, sem nunca ter alcançado em vida o reconhecimento amplo que sua obra viria a receber depois, inclusive a Ordem do Mérito Cultural, concedida postumamente em 2007. Trazer seu nome ao centro da Flip 2026 é também uma forma de recolocar em circulação uma das vozes mais singulares da poesia brasileira do século XX.
Os destaques da programação
Entre os convidados desta edição, alguns nomes concentram a atenção do público, e mostram a amplitude de temas que a Flip costuma reunir, da medicina à literatura negra, passando pela crônica social e pela aventura marítima:
- Drauzio Varella participa da mesa “água parada água parada água parando”, ao lado da autora alemã Cármen Stephan, em uma conversa que cruza escrita, medicina e memórias de sua experiência com a febre amarela, tema de O médico doente.
- Tati Bernardi chega à Flip logo após o lançamento de A boba da corte, romance que retrata com ironia a ascensão social na elite progressista brasileira, e participa de mesa ao lado de Natalia Timerman.
- Socorro Acioli, autora cearense de A Cabeça do Santo e Oração para Desaparecer, lança na Flip o novo livro Amar É Inadiável.
- Amyr Klink participa da mesa “100 dias: entre o livro e o filme”, na Flip+, que discute a adaptação de Cem dias entre céu e mar ao lado do diretor Carlos Saldanha, do ator Filipe Bragança, da roteirista Elena Soarez e de Thais Tavares.
- Conceição Evaristo, vencedora do Prêmio Jabuti por Olhos d’água, participa de diversas atividades na programação, incluindo eventos da Estante Virtual, Caixa de Histórias, Brasil de Histórias e Casa Fundação Itaú com TV Cultura.
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24ª Flip – 2026 em Paraty – Rio de Janeiro

divulgação FLIP
A Flip segue como um dos eventos culturais mais aguardados do país, capaz de projetar autores, resgatar nomes históricos e movimentar o debate público. A programação completa, com horários das mesas e informações sobre ingressos, está disponível no site oficial da Flip.





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