Há quase 600 anos, as vozes da Cappella Musicale Pontificia “Sistina” ecoam nas cerimônias mais solenes do Vaticano, da Basílica de São Pedro à própria Capela Sistina, sob os afrescos de Michelangelo. Conhecido informalmente como “o Coro do Papa”, o grupo nunca havia se apresentado na América Latina. Isso muda no dia 4 de julho de 2026, quando o coro pisa pela primeira vez em solo latino-americano para um concerto gratuito no Teatro Paulo Autran, dentro do Sesc Pinheiros, em São Paulo.
O mais curioso: quem rege essa tradição centenária é um brasileiro. Monsenhor Marcos Pavan, paulistano, é o primeiro maestro não italiano a assumir a direção do coro em cinco séculos de história, um feito que também simboliza a passagem pelo Brasil como um retorno às origens.
Uma viagem sonora de 1.500 anos
Considerada uma das mais antigas instituições de canto coral do mundo, a Cappella Sistina foi decisiva na formação da música vocal ocidental. Em São Paulo, o repertório atravessa cerca de quinze séculos de história: começa no canto gregoriano, passa pela polifonia renascentista de Giovanni Pierluigi da Palestrina e Tomás Luis de Victoria, e chega ao século 20 com obras de Lorenzo Perosi e Domenico Bartolucci, ambos ex-maestros diretores da própria Cappella.
Entre os destaques do programa está a antífona gregoriana Factus est repente, além do Choral varié sur le thème du “Veni Creator”, de Maurice Duruflé, para órgão solo. No palco, cerca de 30 Pueri Cantores, os meninos cantores que formam a seção de vozes infantis do grupo, se juntam aos cantores adultos, recriando a sonoridade que embala as grandes celebrações papais.

Teto Michelangelo capela Sistina
O maestro brasileiro do Vaticano
Nascido em São Paulo, Monsenhor Marcos Pavan construiu sua trajetória musical ainda na capital paulista, especializando-se em técnica vocal e canto gregoriano, antes de conquistar o Fellowship Diploma em Regência Coral pelo National College of Music and Arts, de Londres. Atuou no Brasil como cantor lírico e regente até se mudar para a Itália, em 1991. Em 1998, assumiu a regência dos Pueri Cantores da Cappella Sistina e, em 2020, tornou-se Maestro Diretor da instituição, o topo de uma carreira que começou do outro lado do Atlântico.

Maestro Marcos Pavan
Um presente para os 80 anos do Sesc
A apresentação também marca uma data especial: em 2026, o Sesc completa 80 anos, e trazer um dos coros mais tradicionais do mundo para se apresentar gratuitamente ao público paulistano é parte das celebrações da instituição.
Cappella Musicale Pontificia “Sistina” – Coral
Dia 4 de julho de 2026 (sábado) às 12h
Local: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran – R. Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo, SP
Entrada gratuita, com retirada de ingressos 1 hora antes
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida





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