Da pesca artesanal no litoral catarinense aos campos de flores holandeses no interior paulista, sete pequenos destinos brasileiros entraram na disputa por um dos selos mais cobiçados do turismo mundial: o de “Melhores Vilas Turísticas do Mundo”, concedido pela ONU Turismo.
Os representantes do Brasil nesta edição são Araçá (SC), Conceição de Ibitipoca (MG), Delfinópolis (MG), Holambra (SP), Lençóis (BA), São José do Barreiro (SP) e Vila Flores (RS), selecionados pelo Ministério do Turismo entre dez candidatos brasileiros.
Para concorrer, os destinos precisam ter no máximo 15 mil habitantes, estar inseridos em paisagens marcadas por atividades tradicionais, como agricultura, pesca ou pecuária, e manter um estilo de vida verdadeiramente comunitário. O resultado final, com os vencedores de todo o mundo, sai em dezembro, em Buenos Aires.
As vilas brasileiras vão concorrer com outras 261 candidatas espalhadas pelo planeta, dentro de uma rede que já reúne 319 destinos rurais reconhecidos globalmente. Desde a criação do selo, em 2021, mais de mil vilas de mais de 100 países já se inscreveram – e o Brasil, até aqui, emplacou 27 indicações, com dois vencedores: Testo Alto, em Pomerode (SC), point da famosa Rota do Enxaimel, e Antônio Prado (RS), reduto da cultura italiana.
A Rota do Enxaimel, aliás, é um caso à parte: são cerca de 50 casas erguidas sem um único prego, só com encaixes de madeira, técnica trazida pelos imigrantes alemães. É a maior concentração desse estilo arquitetônico fora da Europa, e o percurso de 16 km é tombado pelo Iphan. Já em Antônio Prado, 80% dos moradores ainda falam talian, o dialeto nascido da mistura entre línguas do norte da Itália e o português.
Conheça as sete apostas do Brasil este ano:
Araçá (Porto Belo/SC) – Pouco mais de 1.100 moradores vivendo entre trilhas, embarcações tradicionais e uma gastronomia que gira em torno dos frutos do mar. A vila fica dentro de uma área de proteção ambiental no litoral catarinense e mantém viva a pesca artesanal como parte do dia a dia.

portobelo.sc.gov.br
Conceição de Ibitipoca (Lima Duarte/MG) – Encravada na Serra da Mantiqueira, carrega a memória dos antigos caminhos do ouro. Com cerca de 1.100 habitantes, é a porta de entrada para o Parque Estadual do Ibitipoca – cachoeiras, grutas e trilhas que atraem quem busca contato com a natureza e um respiro do dia a dia.

Conceição de Ibitipoca – MG
Delfinópolis (MG) – Na Serra da Canastra, natureza e tradição rural andam juntas: cachoeiras e trilhas de tirar o fôlego dividem espaço com a produção artesanal do Queijo Minas da Canastra e do Café da Canastra, símbolos que carimbam a identidade da região.

Delfinópolis
Felipe Brazão
Holambra (SP) – A Capital Nacional das Flores carrega a herança dos imigrantes holandeses na arquitetura, na comida e nas festas populares. Além de liderar a produção e exportação de flores do país, tem no Moinho Povos Unidos — o maior da América Latina — seu cartão-postal.

www.holambra.sp.gov.br
Lençóis (BA) – Portão de entrada da Chapada Diamantina, mistura patrimônio histórico com paisagens de cinema: cachoeiras, cavernas, rios e cânions. O turismo aqui tem cara local, tocado por guias e empreendedores da própria comunidade.

Lençois – BA
São José do Barreiro (SP) – No Vale do Paraíba, cercada pela Serra da Bocaina, guarda fazendas do ciclo do café e atrativos como a Trilha do Ouro. A cena gastronômica aposta em produtos artesanais típicos da região.

São José do Barreiro
crédito: Halley Pacheco de Oliveira – Wikimedia Commons
Vila Flores (RS) – Na Serra Gaúcha, une gastronomia típica, turismo rural e Mata Atlântica preservada. O grande símbolo local é o Filó Italiano, tradição que rendeu à vila o título de Capital Estadual do Filó.

Vila Das Flores
crédito Embratur





COMMENTS ARE OFF THIS POST