Marcela Miranda | Fort Lauderdale, maio de 2026
Fort Lauderdale sabe receber. Quem participou do IPW 2026, realizado entre os dias 17 e 21 de maio no Broward County Convention Center, saiu com a certeza de que os Estados Unidos estão determinados a reconquistar seu espaço no mapa do turismo global e que o Brasil é uma das peças centrais desse movimento.
A maior feira de turismo receptivo dos EUA chegou à sua edição 2026 com um tom diferente das anteriores: menos triunfalista, mais estratégico. O setor reconhece abertamente que, na última década, os Estados Unidos perderam terreno no mercado global de viagens. E o IPW foi, em grande medida, o espaço para discutir como reverter isso.
Mais de 5 mil profissionais de mais de 60 países ocuparam os corredores da feira ao longo de quatro dias intensos. Foram mais de 75 mil reuniões de negócios pré-agendadas, conectando destinos, hotéis, atrações, companhias aéreas, operadoras e compradores internacionais. A projeção da U.S. Travel Association é que os negócios fechados nesta edição gerem cerca de 11 milhões de visitantes internacionais adicionais aos EUA nos próximos três anos e movimentem US$ 26,1 bilhões em gastos, apoiando 63 mil empregos americanos anualmente.

Marcela Miranda – Brasil Travel News na cobertura do IPW 2026
O que estava em pauta
Além dos números, o IPW 2026 foi um termômetro das tendências que vão moldar o turismo americano nos próximos anos. O conceito de “luxo silencioso” dominou apresentações de hotéis e destinos: menos ostentação, mais personalização, experiências autênticas, hospedagens boutique, gastronomia local e wellness. A sustentabilidade também ganhou espaço relevante, com destinos da Flórida, Califórnia e Alasca apresentando iniciativas de turismo regenerativo e preservação ambiental.
A inteligência artificial entrou com força na conversa. Empresas do setor mostraram ferramentas voltadas à personalização de viagens, atendimento automatizado e análise de comportamento do viajante, um sinal claro de que a tecnologia já não é diferencial, é exigência do mercado.
Outro dado que chamou atenção: uma pesquisa divulgada pela U.S. Travel durante o evento revelou que 91% dos visitantes internacionais que estiveram nos EUA recentemente se declararam satisfeitos com a experiência, 83% sentiram que foram bem-recebidos e 61% voltaram para seus países com uma opinião mais positiva sobre o país. São números que a indústria usa como argumento para rebater a narrativa de que os EUA perderam hospitalidade.

Geoff Freeman – Presidente & CEO U.S Travel Association
O Brasil no centro do jogo
Se há um mercado que o IPW 2026 não deixou dúvidas sobre sua importância, esse mercado é o Brasil.
Foram exatas 37 operadoras brasileiras presentes em Fort Lauderdale, nomes como CVC Corp, BeFly, Azul Viagens, Orinter, EHTL, Interep, BWT, New Age, Agaxtur, entre outras. Além de liderar em volume de operadoras, o Brasil também foi o país com a maior delegação de imprensa especializada em todo o evento. Isso não é coincidência: é reflexo direto do peso estratégico do viajante brasileiro para o turismo norte-americano.
A U.S. Travel Association não deixou dúvidas: o Brasil figura consistentemente entre as três maiores delegações do evento e sua importância vai muito além da Flórida, refletindo o apetite do viajante brasileiro por destinos em todo o território americano.
Os números corroboram. Os gastos dos brasileiros no exterior atingiram US$ 21,7 bilhões no ano passado, o maior valor em uma década. A visitação aos EUA já está em 91% dos níveis pré-pandêmicos, e o setor trabalha para fechar esse gap o quanto antes.
O perfil do viajante e do representante brasileiro no IPW também está mudando. Além das operadoras tradicionais, cresce a presença de criadores de conteúdo e influenciadores digitais, refletindo uma transformação no modo como o destino é descoberto e vendido para o consumidor final.

Destinos que não param de evoluir
Fort Lauderdale, como cidade-sede, usou o IPW para se posicionar além das praias. A proposta foi mostrar uma cidade que une sofisticação e descontração, com o novo Centro de Convenções do Condado de Broward como vitrine de sua infraestrutura.
Mas os clássicos brasileiros também trouxeram novidades. Nova York anunciou a abertura do Studio Museum e do Museu dos Direitos Civis no Harlem, a reabertura do Frick Collection e a chegada do icônico Waldorf Astoria reformado, do Faena e do Kimpton em Manhattan. Orlando segue ampliando seu universo de experiências. Chicago, que sediou o IPW em 2025, aparece cada vez mais no radar dos brasileiros, ao lado de Boston, Washington e Key West, como alternativa às rotas tradicionais.
Para operadores e agentes de viagens, o recado do IPW 2026 é claro: os EUA têm produto novo, têm demanda e estão dispostos a investir na relação com o Brasil. O mercado que chegar preparado para os próximos ciclos sairá na frente.
A Brasil Travel News esteve presente no IPW 2026, em Fort Lauderdale.





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