Em um intervalo de pouco mais de dois meses, o México deu um passo decisivo na aproximação com o mercado brasileiro ao aprovar cerca de 12 mil vistos eletrônicos para viajantes do país. O movimento, que representa um crescimento expressivo de 460%, vem sendo interpretado como um sinal claro de prioridade estratégica. Os dados foram apresentados durante coletiva de imprensa na WTM Latin America, principal encontro B2B do setor de turismo no Brasil.
O avanço está diretamente ligado à implementação do novo sistema de visto eletrônico, iniciado em 5 de fevereiro. Segundo Miguel Aguíñiga, chefe da Unidade de Inovação, Sustentabilidade e Profissionalização Turística, o Brasil ocupa hoje uma posição singular: é o único país do mundo com acesso a essa modalidade. Mais do que um procedimento administrativo, a iniciativa reforça o caráter de aproximação entre os dois países. “Isso fala da importância da relação e do grande carinho que temos pelo Brasil e pelos brasileiros. Queremos seguir fortalecendo essa conexão no turismo e em outros setores da economia”, destacou.
Um mercado em expansão e novas geografias de desejo
O fluxo brasileiro revela padrões bem definidos de interesse dentro do território mexicano. Mais da metade dos viajantes, cerca de 52%, tem como destino Cancún e a Riviera Maya, destinos que seguem como porta de entrada para o imaginário caribenho. Os demais 48% se distribuem entre Cidade do México, Monterrey e Guadalajara, revelando uma diversificação gradual de roteiros e experiências.
Atualmente na sexta posição global entre os países que mais recebem turistas internacionais, o México encerrou 2025 com 47,7 milhões de visitantes estrangeiros. Nesse cenário, o Brasil ocupa a oitava posição entre os principais emissores. A expectativa, no entanto, é de ascensão: com o crescimento recente da demanda, a projeção é que o mercado brasileiro encerre 2026 já entre os cinco maiores emissores de turistas para o destino mexicano.
Conectividade como chave do crescimento
Em diálogo com a Embratur e o Ministério do Turismo do Brasil, parte das discussões recentes esteve voltada à ampliação da conectividade aérea entre os dois países, um elemento considerado essencial para sustentar o ritmo de expansão.
Em termos de potencial, o cenário desenhado é claro: caso os 12 mil vistos emitidos recentemente se convertam em embarques efetivos e regulares, seria necessário ampliar a oferta em aproximadamente 15 a 20 voos adicionais para absorver a demanda e garantir a conectividade necessária.
Mais do que números, o movimento sinaliza uma reconfiguração gradual de fluxos turísticos entre México e Brasil, e um mercado que, cada vez mais, se consolida como ponte natural entre dois países de forte afinidade cultural e crescente integração no turismo internacional.





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