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Artesano: uma aposta artesanal ao mel do pequeno produtor

O mel sempre fez parte da mesa das pessoas. Pode até parecer óbvia essa afirmação, mas é grande a diversidade com que esse produto é consumido. Apesar de doce, ele também vai muito bem com alimentos salgados, como molhos de salada ou temperos para carnes e legumes assados. E é justamente essa versatilidade e a possibilidade de trabalhar com pequenos produtores que fez com que Sâmia Torresini fundasse a Artesano.

A ideia de criar a Artesano veio antes dela conhecer ou ter contato com a produção de mel artesanal. Após mais de uma década trabalhando no meio corporativo, Sâmia estava há 3 meses em período sabático e decidida a trabalhar em um negócio que despertasse a sua paixão. “Sempre fui muito ligada emocionalmente a tudo que envolve comida. Então, trabalhar com comida era um caminho natural”, ela conta. “Mas o mel apareceu por acaso, eu diria. Tudo começou quando me vi com 10 kg de um mel puro, cru e delicioso vindo do RS estocados na minha casa. Tive a ideia de anunciar este mel para amigos no meu Facebook e, em poucas horas, os 10kg tinham sido vendidos. No dia seguinte, nasceu a Artesano!”

O primeiro produtor que ela entrou em contato, e com quem trabalha até hoje, foi o Seu Bruno. Ele produz um mel do tipo multifloral. Os demais parceiros foram surgindo por indicação de clientes ou amigos, formando a rede (ou colmeia!) que é a Artesano Mel.

Estruturação do negócio

Ao pensar na Artesano como um negócio, Sâmia conta que sempre trabalhou “mais com feeling do que com planilhas”. “A empresa sempre teve um controle financeiro rígido e acredito que esse seja um dos motivos de ser rentável desde o início”, ela conta.

Os processos precisam ser muito bem controlados e organizados. O envase e a distribuição de mel é feito com pequenos produtores de três Estados brasileiros atualmente. A distribuição acontece através de feiras ou eventos de marcas autorais e criativas na cidade de São Paulo. Também acontece a revenda em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além de uma loja online que envia para todo o Brasil.

Sâmia conta que os principais empecilhos são burocráticos e financeiros. Ela conta que, como microempresa, ainda há muita morosidade e falta de informação clara e de fácil acesso em relação a documentações e obrigatoriedades.

Artesano valoriza a produção artesanal

O mercado da indústria criativa movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano, sustentando mais de 10 milhões de pessoas. É uma fatia considerável na economia brasileira. Por isso, Sâmia acredita que o primeiro passo seja entender a produção artesanal de qualquer produto. “O tempo e o custo são totalmente diferentes da produção em escala, como consequência, o resultado também. Há mãos que produzem o produto e isso envolve, não só força física, mas emoções. Pra mim, isso é o mais especial na produção artesanal, o consumidor compra algo feito por alguém!”, ela conta.

Há alguns anos, há um movimento coletivo de aproximar o público consumidor do produto/produtor artesanal. Sâmia conta que vê uma aceitação incrível. Uma parcela enorme de pessoas quer ter um contato próximo com marcas autorais, com produtos completamente diferentes daqueles que encontram em grande redes de varejo, só não sabem como. Da mesma forma, pequenos empreendedores também precisam de uma rede de apoio para alcançar seu consumidor e conseguir rentabilizar seu negócio. 

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Tipos de mel

Atualmente, a Artesano tem 5 tipos de mel (4 de abelha Apis e 1 de abelha Jataí). A procura e a preferência variam bastante. Sâmia conta que no online, os consumidores têm uma tendência a comprar produtos com sabores mais conhecidos por eles, como o mel Primavera. Já nos eventos, onde se oferece degustação, os sabores mais exóticos, como o mel Mantiqueira, despontam nas vendas.

O mel mais difícil de se conseguir é o mel de abelha jataí. A produção deste mel, além de pequena, é bastante complexa e especializada. Sâmia conta que, hoje, eles trabalham com um produtor que fica no Rio Grande do Sul.

A seleção de parceiros produtores acontece de forma mútua. A relação estabelecida com os produtores é uma via de mão-dupla na qual os dois estão realmente ganhando. E ela conta que isso não acontece só financeiramente, mas desenvolvendo relações de igualdade, parceria e admiração. 

Artesano durante a quarentena

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Madeleines feitas com mel da Artesano

O distanciamento social alterou alguns planos da Artesano em relação a eventos e feiras. Também mexeu com o funcionamento de estabelecimentos parceiros. Por isso, o foco está no online.

A Artesano já tinha loja virtual desde a criação da marca, então não foi necessário fazer grandes mudanças no modo de trabalho. Mas, para surpresa de Sâmia, houve um aumento significativo da procura por mel e seus derivados. Ela acredita que isso se deu por um desejo quase desesperado das pessoas de se protegerem do vírus e também para se presentearem com um mimo gostoso, como um carinho para si próprio.

“Me emocionou a crescente onda de apoio aos movimentos colaborativos de pequenos produtores e de economia local e as ações de ajuda mútua, como as tantas  realizadas pelo Grupo Jardim Secreto e o Marketplace do EFB (Expositores de Feira do Brasil), para exemplificar”, ela conta. “Certamente, serão as lições e as demonstrações de coletividade mais lindas que levarei desse momento tão obscuro”.

Este é o primeiro artigo de um especial que publicaremos esta semana sobre locais que prezam por uma alimentação de verdade. Amanhã, apresentaremos o Caru Café, que abriu recentemente em São Paulo. A série foi inspirada na Feira Sabor Nacional, que começa hoje.


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