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Um prédio esquecido por 85 anos no centro de SP reabre com exposição de Alex Flemming

A poucos quarteirões da Sé, um edifício de 1919 assinado por Ramos de Azevedo passou décadas invisível – sem placa, sem visitantes, sem que a cidade soubesse o que escondia. A descoberta veio quase por acaso: o empresário Allan Ruiz, especialista em revitalização de imóveis históricos no centro de São Paulo, adquiriu o imóvel sem conhecer sua origem. Foi só ao pesquisar as inscrições nos tijolos e consultar as plantas originais no Arquivo Histórico Municipal que a autoria foi confirmada, o mesmo Ramos de Azevedo responsável pelo Theatro Municipal, o Mercadão e a Pinacoteca.

O edifício tem uma história à altura. Projetado em 1919, Os Palacetes da Sé abrigou a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e a Policlínica da cidade, que oferecia atendimento gratuito em diversas especialidades – um verdadeiro centro de ciência antes mesmo da fundação da Faculdade de Medicina da USP. O prédio também foi um dos primeiros de São Paulo a usar estrutura de concreto armado, tecnologia avançada para a época. Apesar do longo abandono, elementos raros se preservaram: vitrais com símbolos médicos e ladrilhos hidráulicos originais ainda estão lá, intactos. Para o urbanista Lincoln Paiva, não é coincidência – o imóvel está situado sobre o antigo Caminho do Peabiru, rota indígena que antecede a própria colonização da cidade.

O projeto de restauração, batizado de Ruínas do Ramos, tem custo estimado entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões. A proposta é deliberadamente contida: manter a estética de ruína nas paredes de tijolos aparentes, restaurando apenas o essencial para respeitar o traço original do arquiteto.

Palacetes da Sé

E foi justamente nesse cenário de tijolos expostos e vitrais que resistiram ao tempo que Alex Flemming escolheu instalar sua nova exposição. Flemming, que retorna ao Brasil após décadas em Berlim, viu no edifício o ambiente ideal para suas obras: “O abandono também é uma forma de fim do mundo”, declarou o artista.

Obra Série Apocalipse marca a reabertura do espaço após 85 anos de desativação e reúne 30 obras do artista plástico Alex Flemming, em um diálogo entre arte contemporânea e patrimônio histórico.

A mostra “Alex Flemming Apocalipse” reúne 30 obras produzidas ao longo de sua trajetória na capital alemã e pode ser visitada gratuitamente até 30 de agosto. Flemming é um nome de peso na arte contemporânea brasileira – fotógrafo, pintor e artista multimídia nascido em São Paulo em 1954, tem obras permanentes na Estação Sumaré do Metrô, na fachada da Biblioteca Mário de Andrade e na Estação Santo André da CPTM.

A exposição marca a estreia da programação de artes visuais dos Palacetes da Sé, uma boa razão para explorar uma das regiões mais carregadas de história da cidade.

Exposição Alex Flemming Apocalipse
Local: Palacetes da Sé — Rua Roberto Simonsen, 97, Centro, São Paulo
Período: 10 a 30 de agosto de 2026
Horário: das 11h às 16h
Entrada gratuita
Palacetes da Sé


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