O filósofo e escritor indígena é um dos artistas do CURA 2026, festival de arte urbana que transforma fachadas do centro de BH em murais de escala urbana. As pinturas começam em 19 de agosto
Ailton Krenak já escreveu livros traduzidos para vários países, deu palestras mundo afora e foi o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Aos 72 anos, vai fazer algo que nunca havia feito: pintar um prédio.
O convite veio do CURA, festival de arte urbana que desde 2017 cobre fachadas de edifícios de Belo Horizonte com murais de grande escala. Na edição de 2026, Krenak assina uma empena, a parede lateral de um edifício de dez andares no centro da cidade.
É impactante pensar no desenho nessa escala de prédio, que vira paisagem”, disse o artista. “Tem um chamado para a subjetividade, para a poesia, para o sonho.”
A outra empena da edição é de Mônica Nador, aos 71 anos uma das vozes centrais da pintura mural brasileira. Fundadora do JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube, na periferia de São Paulo, Nador tem uma prática em que a autoria da obra deixa de ser só da artista para ser compartilhada com a comunidade. As duas pinturas acontecem em paralelo, em dois edifícios do centro, a partir de 19 de agosto, e podem ser acompanhadas da rua ao longo dos dias.
O tema da edição é “Descansar Enquanto”, e o recorte é mais político do que parece. O festival propõe o descanso não como pausa, mas como posicionamento: um direito ainda não garantido, atravessado por desigualdades de gênero, raça e classe. A reflexão dialoga com a obra da norte-americana Tricia Hersey, para quem descansar é uma recusa ativa às estruturas que operam pela exaustão.

Mônica Nador / Foto-Lucas-Souza
Nos dias 26 e 27, seis artistas fazem sessões de pintura ao vivo em painéis montados na praça. Há ainda um mirante com vista da cidade, travessias de highline entre prédios do centro, mesa de desenho aberta ao público e atividades para crianças e famílias. No dia 20, o Sesc Palladium – que completa 15 anos – recebe uma programação parceira com pintura ao vivo, dança e cultura ballroom. O festival se encerra em 30 de agosto com a Festa Honk BH.

Cura / Raul Soares / Tamas Bodolay
Vale o registro: a edição de 2026 é a última de um ciclo de cinco anos que transformou uma praça do centro de BH em uma galeria vertical a céu aberto. Em 2027, o CURA completa dez anos.
CURA 2026 — Festival de Arte Urbana
Período: 19 a 30 de agosto
Local: Praça Raul Soares, Belo Horizonte
Entrada gratuita
Mais informações: @cura.art





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