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Raridade em folha e essência

Raridade em folha e essência

Foram centenas as oportunidades que tive para admirar uma simples folha de bananeira. Uma das árvores mais comuns em todo o país, suas folhas verdes ganharam novo significado há pouco tempo, quando observei como as veias que se espalham em suas fronteiras se transformam em linhas que, como verdadeiras estradas, levam a centenas de descobertas. Na mesma toada deste inocente exercício, uma variedade de rodovias estaduais e federais, no norte do Estado da Paraíba, conduz ao Brejo paraibano, onde, cercada de verde por todos os lados, está o município de Bananeiras. Distante apenas 136 quilômetros da capital João Pessoa, a região é um destino de surpresas, a começar pelo clima, que varia numa temperatura de 12 a 31 graus, seduzindo tanto no frio dos festivais de inverno, quanto na alta temporada de verão. À frente, o solo bananeirense pode ser desbravado de ponta a ponta, num roteiro que inclui desde experiências de ecoturismo, até um encontro intimista, e culturalmente inesquecível, com a Orquestra Filarmônica de Bananeiras.

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Vista panorâmica da cidade

Ambientada em uma área de 258 quilômetros quadrados, a cidade ensina tanto sobre como a vida em passos lentos pode ser apaixonante, quanto convida para pontos turísticos, como a Cachoeira do Roncador, que desafia sua adrenalina, com um volume de água jorrado a 45 metros de altura. Parte de uma Área de Preservação Ambiental, a queda atrai, predominantemente, turistas interessados no convívio com a natureza, que se predispõem a fazer caminhadas ecológicas e a se aventurar em escaladas e banhos nas piscinas naturais que se formam. Ou então, aproveitam a leveza de um passeio de tirolesa. No entorno, a paisagem é inspiradora, já vez que reúne a exuberância de pássaros e da Mata Atlântica, representada por angelins e sucupiras. Sem perder a vibe das descobertas, se desfruta das trilhas do Padre Ibiapina, ou da Lagoa do Encanto, na Mata da Bica.
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Detalhes da Cachoeira do Roncador

A fauna privilegiada tornou-se um dos principais braços da economia bananeirense, uma vez que, a partir de um projeto sustentável de piscicultura, por meio da Associação dos Piscicultores de Bananeiras, a cidade produz 600 toneladas de tilápia por ano, em locais como a Lagoa do Matias. De acordo com o governo do Estado, o projeto é um dos mais bem sucedidos da Paraíba, e caso mantenha sua produção será capaz de gerar uma receita de aproximadamente R$ 4 milhões anuais. A princípio, os peixes são comercializados para municípios do entorno, bem como, para Pernambuco e Rio Grande do Norte. Aliás, a proximidade das capitais Natal e Recife – menos de 150 quilômetros – permite aos viajantes fazerem uma visita à cidade paraibana, seja para apreciar sua tranquilidade, ou para saborear a peteca de banana, famoso doce na região, responsável por conquistar paladares com uma espécie de rabanada de banana nanica acompanhada de sorvete de creme.

O intercâmbio entre turistas dos Estados vizinhos e Bananeiras fica ainda mais intenso durante os eventos que marcam o calendário da região paraibana, como a Semana Santa, que leva para ruas diversidade cultural para celebrar a fé. Pelas vias de paralelepípedos, é emocionante acompanhar a encenação da Paixão de Cristo à moda antiga, e sentir os ares de contemporaneidade da peça teatral O Andarilho da Caridade que, por meio da companhia de teatro Flor do Cedro, celebrou a vida do Padre Ibiapina, religioso que teve sua trajetória marcada por obras de benfeitoria e inclusão social. No Sábado de Aleluia, o feriado toma contornos arretados e o forró é personagem principal nos salões bananeirenses, atraindo turistas, dançarinos profissionais e amadores, dispostos a colarem o corpo um no outro, e se divertirem.
Inauguração
Na cidade está o melhor São João de pé de serra do mundo

No entanto, nada se compara ao período junino, quando toda a cidade vibra entorno da programação de São João, que mesmo sem as proporções da magnífica festa realizada tanto em Campina Grande, quanto em João Pessoa, tem seu espaço garantido entre grupos familiares que, puderam conferir na Praça Castro Pinto, a programação de shows desenhada pela prefeitura de Bananeiras, com presença já confirmada do cantor Santanna. Considerado o melhor São João de Pé de Serra do mundo, o encontro junino sedimenta sua importância ao potencializar os talentos locais e regionais, como já foi o caso do Trio Origens do Forró e de Naldinho do Acordeon. A realização de eventos de proporções cada vez maiores incentivou a cidade a investir em sua capacidade hoteleira, de olho nos viajantes das próximas temporadas de 2013, e nos que vierem ao país para conferir os jogos da Copa do Mundo de 2014, que terão entre suas opções, locais como o histórico Serra Golf Apart Hotel, ambientado em um restaurado casarão do século 20, mas equipado com tecnologia moderna.
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Peteca é uma iguaria deliciosa de Bananeiras

E como em toda caixinha há sempre espaço para mais uma surpresa. No caso de Bananeiras, são duas. E ótimas. A primeira delas é a trilha de jipeiros, que reuniu apaixonados por aventura e adrenalina num grande circuito tomado de areia, atoleiros e paisagens inesquecíveis. E provando que vai muito além de plantações de pacoveiras, esta pequena paraibana é território para o primeiro e – até o momento – único campo de golfe do Estado, inserido no condomínio Águas da Serra Golf Club, e composto de nove buracos. Desenhado por Sebastião Neres, o campo serviu de cenário para o 2º Aberto da Paraíba, ocorrido no último mês de abril, e do qual se sagraram campeões os paulistas Marcos Muritiba, com 148 tacadas, e Lie Gwen Chang, com 140 tacadas. Nos próximos meses, por essas gramas passarão a Taça Águas da Serra Golf Club , a Taça São João e o Campeonato de Duplas Mistas Águas da Serra Golf Club .

Passado de geração para geração, no engenho da cachaça Rainha, o brinde às grandes experiências se faz provando 136 anos de história. O lugar pertencente à família Mozart Bezerra é responsável pela produção artesanal de 100 mil litros de cachaça por ano, oferecendo um sabor a mais à viagem de turistas que buscam dar novas texturas ao paladar. Embora o calor da cachaça tome conta do corpo, com a proximidade do inverno, o vento se prepara para assobiar ao ouvido dos viajantes, que com sorte, poderão contemplar a exibição de rebequeiros e cantadores em rodas musicais, nas quais ao som da sanfona, compreende-se a riqueza de Bananeiras. Em folha. Em essência.
CRUZEIRO DE ROMA
Fachada do Cruzeiro de Roma

Artesanato
Ainda que a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento e o Cruzeiro de Roma estejam entre os patrimônios mais valiosos de Bananeiras, o artesanato local também é bastante rico, com destaque para as peças produzidas com a manipulação de cabaças, cipó e bambu.

Para saber mais:
Prefeitura Municipal de Bananeiras www.bananeiras.pb.gov.br


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

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