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Abra a porta, entre no passado

Abra a porta, entre no passado

Cenário para novela global, o Palácio Rio Negro, em Petrópolis, é uma relíquia nacional

A viagem ao passado pode acontecer de diferentes maneiras. Há quem visite a memória e estampe um sorriso no rosto com a lembrança de um momento marcante da vida. Há quem colecione peças que traduzam a cultura e o cotidiano das diferentes civilizações que habitaram este solo. E há quem encontre absoluto prazer em revisitar as histórias que impregnam os variados tesouros que não estão escondidos em baús, mas que se mostram à luz do dia, num brilho eterno, na forma de edifícios, igrejas, casarões, museus…

Se você ainda não encontrou a sua forma de experimentar o tempo, existem duas boas dicas. A primeira delas é ligar a televisão. A segunda é subir a Serra em direção à cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. A combinação destas duas ações resulta num encontro bastante especial na Rua Koeler, no centro petropolitano, pois é neste endereço que está o Palácio Rio Negro, também reconhecido como o Palácio dos Presidentes. A casa originalmente construída em 1889, pelo engenheiro italiano Antonio Jannuzi, a pedido de Manoel Gomes de Carvalho – o barão do Rio Negro – nasceu como residência de verão, seguindo a tradição que imperava na época, na qual a Família Real e a elite da sociedade investiam em construções suntuosas na Serra mais nobre do momento. No caso do Palácio Rio Negro, a função veraneio existiu somente até 1896, passando à residência dos presidentes do Brasil em exercício. Na atualidade, os traços ecléticos do casarão transformado em espaço cultural podem ser conferidos nas tomadas da novela da rede Globo, Lado a Lado, onde suas fronteiras servem de cenário para a casa da personagem Constância Assunção, vivida pela atriz Patrícia Pillar. Se na telinha, a fachada encanta, por dentro, o palácio reflete pleno esplendor, seja no piso intacto e estampado pelos grãos de café, nas paredes com papel decorativo e cortinas originais, ou principalmente, nos quartos de decoração compacta onde presidentes brasileiros aproveitaram suas temporadas de verão. O primeiro a apreciar a estadia nestes arredores, a partir de 1902, foi Rodrigues Alves, – que sedimentou esta tradição – e houve tempo para que Afonso Pena, Hermes da Fonseca, Epitácio Pessoa, Washington Luís, Getúlio Vargas, entre outros também desfrutassem do palácio, até Costa e Silva, último presidente que se instalou antes que a tradição se quebrasse em virtude da distância entre a atual capital do Brasil e Petrópolis. Contudo, em 1996, Fernando Henrique Cardoso dormiu no Rio Negro, e em 2008, foi a vez do então, presidente Lula, o que conferiu um total de 16 presidentes hospedados Cenário para novela global, o Palácio Rio Negro, em Petrópolis, é uma relíquia nacional arquitetura neste edifício de enorme grandeza, cúmplice de segredos e confidências que permanecerão guardados para sempre entre essas paredes.

Uma vez dentro desta relíquia, repare na mobília de madeira, na suíte de Getúlio Vargas, na sequência de retratos dos presidentes, nas esculturas que enlaçam o jardim. Aliás, não repare apenas, leve na memória.

Para saber mais: palaciorionegro.blogspot .com .br

por Flávia Lelis


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