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Terra de olhos puxados

Terra de olhos puxados

Por muito tempo Pequim esteve esquecida no passado. Parte de sua importância se perdeu na história em meio às disputas trazidas por Genghis Khan e aos ideais defendidos pelos soldados da Revolução Cultural. Ao longo dos anos, a capital chinesa foi queimada, desfigurada e provou resistência diante dos tremores de terremotos que a ameaçaram em diferentes ocasiões. E ela resistiu, como fênix e, talvez, como todos os personagens das fábulas chinesas. Hoje, quem visita a cidade se depara com uma região em transformação, que, como poucas, consegue confluir de um lado a tradição de uma cultura milenar, e de outro a arquitetura futurista de uma metrópole que disputa o posto de potência mundial. E no meio de tudo isso, um povo que se projeta ao mundo em inglês e, não somente, em mandarim.
letras
No traçado de seus novos caminhos, Pequim abre espaço para luxuosos hotéis e restaurantes, no lugar dos populares hutongs, – antigos bairros formados por pequenas ruas e casas espremidas umas as outras -, e celebra a fama alcançada após a realização dos jogos olímpicos de 2008, evento esportivo que rendeu modernidade ao cenário urbano chinês, por meio de construções como o Estádio Nacional de Pequim, apelidado como Ninho de Pássaro, por conta da complexidade arquitetônica imaginada por Jacques Herzog e Pierre de Meuron. Contudo, para quem desembarca pela primeira vez em solo chinês, o roteiro mais natural é aquele que leva a descoberta da história que está impressa em edifícios como o Templo do Céu, que agrega, em Tiantan Gongyuan, ao sul de Pequim, diversos templos voltados ao taoismo que datam de 1420.
ninho
Aberta ao público desde 1925, a Cidade Proibida mantém os detalhes dignos de um grande império que por 500 anos, entre a dinastia Ming e Qing, reinou numa área de impressionantes 720 mil metros quadrados. Tombada Patrimônio Mundial, pela Unesco, a Cidade Proibida – que não deixa de ser literalmente uma cidade dentro da cidade de Pequim, ao agregar mais de 900 edifícios do século 15, delineados entre tons de vermelho e dourado – nasceu para abrigar a família real, com acesso permitido somente à autoridades e funcionários do palácio real. Daí o nome um tanto quanto explicativo. Na face norte da Cidade está outro emblema das mudanças presenciadas pelo povo chinês: a Praça da Paz Celestial, ou para eles, a Praça Tian’anmen. Aqui, na terceira maior praça do mundo, a história não se faz em metros quadrados, mas na grandiosidade do Museu Nacional da China, na dramaticidade do Monumento às Pessoas Heroínas e num solo que foi cúmplice para um protesto de estudantes em 1989, em prol da democracia e da liberdade de expressão. O ponto alto da manifestação foi um jovem anônimo, que solitariamente, impediu que um fila de tanques de guerra prosseguisse na direção dos manifestantes.

Em relação à fama, neste território, nada se compara às Muralhas da China, que não se concentram em Pequim, contudo, um de seus trechos está próximo, desta forma, é irresistível seguir para Badaling, a aproximadamente uma hora da capital. Por lá, as pernas ficam torneadas diante das longas caminhadas e escadarias, mas por outro lado é possível observar a magnitude arquitetônica que evoluiu entre os séculos 5 a.C. e 16 d.C., entre as diferentes dinastias que governaram a China. O grande tempo de construção fez com que à muralha fossem incorporados estilos distintos e materiais variados, como pedra, tijolo e granito.
pato
Não há quem cogite vir para Pequim e não coloque a culinária como impedimento, no entanto, há formas de tornar cada refeição um momento agradável, distante de ensopados ou espetinhos de insetos. Se você deseja um prato típico, a melhor dica é o Pato a Pequim, que consiste na ave assada acompanhada de panquecas, e cuja receita foi introduzida na cultura chinesa pelo imperador Hongwu, fundador da dinastia Ming. Como metrópole em consonância com o mundo globalizado, a cidade possui em diferentes esquinas, unidades do KFC, rede norte-americana famosa por vender seus baldes de frango frito, e se frituras não fazem o seu estilo, há restaurantes de culinária europeia esperando por você, como os atraentes bistrôs franceses. Mas esses com uma pitada se simpatia de olhinhos puxados.

Fique ligado!
Os chineses são pessoas bastante simpáticas, mas não custa nada se precaver contra com alguns espertinhos. Os taxistas chineses podem se beneficiar por conta da dificuldade idiomática, sendo assim tome cuidado para o que preço combinado em sixteen não ser transforme em sixty. Outra dica importante é praticar a pechincha. Os comerciantes locais esperam que você negocie os preços, mesmo que eles já sejam super baixos.

Raio-x
Cidade: Pequim
Idioma: mandarim
Moeda: yuan
Clima: continental
Fuso horário: +11 horas

Para saber mais:
Beijing International www.ebeijing.gov.c


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

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