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Minha primeira vez no Michelin

Minha primeira vez no Michelin

Há alguns dias publicamos aqui no site da Brasil Travel News, a notícia sobre a celebração do restaurante do hotel Belmond Cipriani ao receber a sua tão sonhada estrela Michelin. Não estávamos presentes para ver a reação, mas para o chef, certamente, a sensação seria a de ganhar um Oscar, um Nobel, um Pulitzer. Em outras palavras, é ter o seu trabalho – e inventividade – reconhecidos por uma organização distinta e desejada. Para quem já assistiu ao filme Burnt, com o gatíssimo Bradley Cooper, no papel do chef Adam Jones, é possível compreender como esses verdadeiros artistas da alta gastronomia perseguem a perfeição de sabores, ingredientes e de preparo, em nome do reconhecimento do Guia Michelin, mesmo que o processo envolva demasiada pressão.
Chef Ricardo Costa 2
Ricardo Costa em ação na cozinha do The Restaurant

Se conquistar a primeira estrela requer disciplina e umas boas doses de perfeição, imagine o que é necessário para manter essa estrela? Ou para alçar novos voos em busca das sonhadas três estrelas? Pois bem, essa é a realidade de Ricardo Costa, chef à frente do The Restaurant, ambientado no último piso do hotel The Yeatman, em Gaia, Portugal. Desde 2012, Costa mantém a estrela na casa, numa sugestão de cardápio inventivo, que desperta e provoca o paladar a cada garfada. Com uma decoração clássica e segura, que remonta os típicos restaurantes da alta sociedade, o restaurante arrisca com uma seleção de menus degustações que têm apenas um objetivo: conquistar. Esse jogo de sedução começa com os garçons. São necessários quatro deles para cada mesa. A cada sorriso, uma amostra do serviço de excelência que está por vir.
Chef Ricardo Costa
O chef está por trás das criações que sustentam a estrela no Guia Michelin

Enquanto os pensamentos se perdem na direção das janelas que levam para a Douro, à mesa chegam as boas vindas do chef. Em movimentos ensaiados, elas vêm em super caixas, ou em pequeninos e delicados pratos, ou com pinças, ou em tábuas. Ao todo, seis pratos de entrada. Degustei releituras de ceviches, sanduíche de berinjela, peixe frito, polvo assado, lombo de vaca grelhado e tripas de banana. Nenhum detalhe pesa, na verdade eles flutuam ainda mais quando combinados com a seleção de vinhos. Há Taylor’s Chip Dry, Carm Reserva, Fonseca 10 anos, entre outros sedutores. O casamento entre bebida e comida acontece ali na sua frente, e só resta a você, render-se. O silêncio é predominante, quebrado somente pelo som dos talheres tocando o prato – ou pela criança que chora aos berros para mostrar aos pais que ela preferiria o Mc’Donalds. O The Restaurant foi minha estreia no Michelin, de certa forma também ganhei uma estrela. Cheguei com a fama dele na cabeça, resignada a não gostar de nada, mas o plano não deu certo, e me apaixonei. Amor rasgado, declarado e saboroso.
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O cardápio e a seleção de vinhos na noite no The Restaurant

Quando achei que a delicadezas teriam fim, um dos sorridentes garçons, sugeriu um chá à base de gengibre, do tipo que nossas mães fazem carregados de amor, como um afago. Gentilmente, ainda recebi o menu e a seleção de vinhos da noite. Sim, eu aceito. Eu caso.

Para saber mais:
Menu degustação: parte de 90 euros por pessoa
Aberto somente para o jantar, com reserva
www.the-yeatman-hotel.com


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

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