READING

Viena em dois dias: Um stopover que virou uma hist...

Viena em dois dias: Um stopover que virou uma história

Sabe aquela parada estratégica entre um voo e outro que, de repente, vira um dos melhores capítulos da viagem? Pois foi exatamente isso que aconteceu comigo em Viena. Dois dias apenas, um stopover rápido, e confesso que não esperava tanto. A capital austríaca me surpreendeu em cada esquina, com seu charme imperial, sua arquitetura que faz você parar e admirar por horas e uma atmosfera que mistura tradição, arte e elegância com uma naturalidade impressionante.

Logo nas primeiras horas, percebi que Viena tem um ritmo próprio – calmo, preciso, mas cheio de vida. As pessoas caminham sem pressa, os cafés estão sempre cheios de conversas e do aroma de grãos recém-moídos, e cada fachada parece contar um pedaço da história da cidade. Caminhar por aquelas ruas é como entrar em um cenário que combina passado e presente com harmonia. Da praça Stephanplatz, olhei para o alto e vi as torres da Catedral de Santo Estêvão (St. Stephen’s Cathedral) se destacando no horizonte. Uma sensação de que cada detalhe foi feito para durar séculos.

Entre um passeio e outro, me rendi aos sabores locais. O Wiener Schnitzel foi meu primeiro prato – crocante, dourado, acompanhado de batatas e limão. Simples, mas inesquecível. Depois, segui até a confeitaria Demel, um verdadeiro ícone vienense fundado em 1786. O ambiente é uma viagem no tempo: vitrines impecáveis, aroma de açúcar e baunilha, e confeiteiros trabalhando atrás de um vidro, em silêncio concentrado. Em vez da tradicional Sachertorte, escolhi a Kaiserschmarrn, uma sobremesa típica da Áustria que lembra uma mistura entre panqueca e omelete doce, cortada em pedaços e servida com compota de frutas. Macia, dourada e levemente caramelizada, foi uma das melhores surpresas gastronômicas da viagem.

confeitaria Demel, um verdadeiro ícone vienense

Como toda cidade que respira cultura, Viena é um convite à contemplação. Entrei na Biblioteca Nacional Austríaca e, por alguns minutos, esqueci do tempo. As estantes altíssimas, os globos antigos, os tetos cobertos por afrescos e o cheiro de livros centenários criam uma atmosfera quase sagrada. É o tipo de lugar em que se anda devagar, para não perturbar o silêncio carregado de história.

Do outro lado da cidade, o Belvedere Palace me esperava com outra surpresa: O Beijo, de Gustav Klimt. Ver a pintura ao vivo foi um daqueles momentos que suspendem o tempo. Ela realmente brilha e, diante dela, é impossível não entender por que Viena tem essa aura de arte e beleza em cada detalhe.

O Beijo – Gustav Klimt
Data: 1907-1908

De lá, segui para o Museu Albertina, que abriga uma das coleções de arte gráfica mais importantes do mundo. Entre aquarelas, gravuras e pinturas de mestres como Monet, Degas e Picasso, entendi por que Viena é chamada de “cidade das artes”. A sensação é de estar diante de séculos de criação humana e, ao mesmo tempo, perceber que tudo ali continua vivo e pulsante.

The ALBERTINA Museum

Mais tarde, sentei em um dos cafés mais icônicos da cidade, o Café Central. O salão é imponente, com colunas altas e lustres que parecem fazer parte da decoração e da alma do lugar. Pedi um Einspänner, o tradicional café servido com chantilly, e fiquei observando o vai e vem de pessoas. Foi um daqueles momentos de viagem em que a vida parece desacelerar e se encaixar perfeitamente.

Mas vale uma dica: é preciso se programar, porque o Café Central é um dos pontos mais disputados de Viena, e as filas podem ser longas, especialmente nos horários de pico. A boa notícia é que a cidade é praticamente o paraíso dos cafés – há opções incríveis por todos os lados, cada uma com seu charme e história.

No segundo dia, decidi explorar o lado mais contemporâneo da elegância vienense. Entrei na Mühlbauer, uma chapelaria tradicional fundada em 1903, conhecida por seus chapéus feitos à mão com um cuidado artesanal impressionante. Descobri que nomes como Brad Pitt, Meryl Streep e Madonna já passaram por lá e, olhando os modelos, entendi o motivo. Cada peça parece ter personalidade própria, unindo estilo e herança. Mesmo sem comprar nada, a visita valeu por si só.

Chapelaria Mühlbauer

Antes de partir, ainda caminhei pela Kärntner Strasse, uma das ruas mais famosas da cidade, praticamente um shopping a céu aberto. São inúmeras lojas – de grifes internacionais a marcas locais – e opções para todos os gostos e bolsos. Mesmo sem grandes compras, vale a visita. É um ótimo lugar para sentir o ritmo da cidade e observar a elegância natural dos vienenses.

Dois dias. Apenas isso. Mas Viena me deu muito mais do que eu esperava. Me mostrou que algumas cidades não precisam de tempo para conquistar – basta um olhar atento, uma taça de vinho, um café compartilhado. Saí com vontade de voltar, porque Viena é assim: une o clássico e o moderno, o requinte e o cotidiano, sempre com uma elegância natural.

Se o seu voo fizer escala por lá, nem pense em esperar no aeroporto. Saia, explore, prove, ouça. Viena é um stopover que merece virar destino.

Dicas rápidas

Hospedagem: Fiquei hospedada no Vienna Marriott Hotel (Parkring 12a, 1010 Wien, Áustria. Tel: +43 1 515180). O serviço foi excepcional e a localização é perfeita: bem em frente ao Stadtpark. Se você gosta de caminhar, como eu, dá para explorar praticamente toda a cidade a pé.

Clima: Tenha sempre um guarda-chuva à mão! Estive em outubro e, mesmo com dias lindos, sempre havia uma garoa em algum momento.

Vinho local: Se você aprecia um bom vinho, não deixe de provar o Wiener Gemischter Satz, o típico vinho branco vienense — leve, aromático e perfeito para acompanhar os pratos locais.

Aqui vai para o seu bloco de notas:

  1. Stephansplatz
  2. Catedral de Santo Estêvão (St. Stephen’s Cathedral)
  3. Biblioteca Nacional Austríaca (Österreichische Nationalbibliothek)
  4. Palácio Belvedere (Belvedere Palace)
  5. Museu Albertina
  6. Stadtpark
  7. Kärntner Strasse
  8. Confeitaria Demel
  9. Café Central
  10. Chapelaria Mühlbauer
  11. Vienna Marriott Hotel (hospedagem recomendada)
  12. Wiener Gemischter Satz (vinho local típico)
  13. Caminhar pela Kärntner Strasse

 

Te vejo na minha próxima viagem!
Marcela Miranda

*matéria publicada na revista impressa Ed 461

RELATED POST

COMMENTS ARE OFF THIS POST

INSTAGRAM
Acompanhe nossas viagens no Instagram!
Translate »