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Tonta, sim, e viajante, sempre

Tonta, sim, e viajante, sempre

No último mês de dezembro vivi aquela época que eu amo: minhas férias. Trinta dias com os pés para cima, sem olhar o Facebook do trabalho, os emails (mentira) e tudo que me lembrasse que nos outros 335 dias do ano sou jornalista do turismo. A cada cinco amigos, desconhecidos ou atendentes de telemarketing que descobriam sobre minhas férias, doze me perguntavam: não vai viajar? Não, eu não vou. Eu planejei ficar quietinha, me desligar de tudo e me exercitar entre a TV e a geladeira, fazendo de mim uma trintona feliz. No máximo, os planos incluíam montar a árvore de Natal e arrumar o guarda roupa. Contudo, planos mudam.

Num domingo, meu namorado deu aquele help até o pronto socorro e eu descobri uma labirintite. Foram dez dias tonta. E eu nem bebo, baita sacanagem. Os planos mudaram, muito repouso e quase as compras de Natal rodaram (entenderam? srs). Parece que o tempo voou, e de repente eu estava bem, sem tonturas, porém já era dia 16 de dezembro, e bateu aquela sensação: não vou fazer nada nas minhas férias, não vou viajar? Crise, tensa. No dia 23, eu parti para Ibiúna, no interior de São Paulo, onde por cinco dias curti a companhia dos familiares, num Natal para lá de delicinha, cercado de montanhas, piscina e aquele direito de não fazer nada.

De volta a São Paulo, o namorado desce para praia em pleno dia 30. Crise, tensa. Dois dias longe, e aquele clima de Ano Novo incompleto. Porque eu não planejei um réveillon com Iemanjá? Crise, tensa. O ano passou, e no primeiro dia de 2016 minhas mãos coçavam para fazer a mala. Para ajudar foram 40 minutos de serra, numa São Paulo completamente vazia. Eu e a praia nos encontramos sob sol forte. O destino foi a relegada Praia Grande. No entanto, foram dias de ótimas surpresas, já que a orla está repaginada, dispõe de uma excelente ciclovia e é ponto de encontro para turistas e famílias com seus cães. Ali, no Canto do Forte, a paisagem é bem bonita, principalmente na revoada dos pássaros. Claro, os clichês estavam lá – a fila quilométrica na padaria, os turistas bêbados barulhentos e os banhistas que curtem o visual croquete -, mas tudo valeu. Já que por outra ótica, e diferente das práticas comuns, em Praia Grande os preços estavam amigáveis, por exemplo, uma porção de peixe R$ 50,00, não faltou água e nada de casos de violência. Além de me matar de rir com a cunhada, ainda curti a vibe do mar de mãos dadas e me apaixonei pelo sorvete de abacaxi ao vinho.

E daí, Flávia? E daí que mesmo quando estou à paisana, quando não estou jornalista, aquele bichinho viajante mexe com você, e fazer as malas parece elixir para qualquer doença, para qualquer problema. Sobre as férias de 2016, já tenho tudo planejado: vou viajar. Ficarei com os pés para o alto nos feriados.

Foto: Amy Dianna


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

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