Formulários – A Saga

Que fique claro que não sou contra certas burocracias, desde que elas sirvam de fato para alguma coisa. Sou jornalista, o que obviamente implica o meu gosto por escrever e ler, certo? Certíssimo. No entanto, numa recente viagem à Bolívia confesso que já estava ficando de saco cheio de tanto preencher formulários. Até conseguir entrar no país foram quatro formulários. A confusão começou no avião quando a companhia aérea informou não ter o número de folhas suficientes para todos os passageiros, e depois não ter certeza sobre quais folhas eram obrigatórias para a entrada na Bolívia. Ok, preenchi as três folhas que recebi ainda na aeronave. Todas praticamente com as mesmas perguntas.

No setor de imigração ficou a primeira delas, e o passaporte foi carimbado com a data de entrada. Na fase seguinte, estava a alfândega, onde descobri – na fila – que deveria preencher um novo formulário. A quarta folha. Sem apoio e enquanto a fila caminhava, completei as mesmas informações novamente. E então, a funcionária boliviana me pediu dois dos formulários que estavam comigo. Entreguei. Ela, então, com muita destreza arremessou os dois documentos numa pilha que mais parecia um emaranhado de cupons para sorteio. Se ela conferiu os dados? Não, definitivamente não. Dela ouvi apenas a ordem para apertar um botão verde. O porquê eu só descobri depois: essa foi a maneira democrática encontrada pelas autoridades para exigir a verificação das malas dos viajantes, sem sugerir preconceito. Caso, ao apertar o botão verde, a luz acima de sua cabeça fique vermelha, pode aguardar ao lado, que o guarda vai querer dar uma olhada na sua bagagem. O meu apertão rendeu luz verde, graças a Deus, senão seria mais uma fila e, de repente, mais um formulário.

Pode parecer reclamação de viajante apressado, mas entre o primeiro formulário e o apertão do botão verde, foi gasta uma hora. Apenas para entrar no país. E se não levarmos em consideração o tempo, mas somente a necessidade daquelas informações, a frustração seria ainda maior, já que elas não foram checadas, logo, me pareceram descartáveis. Como disse na primeira linha, não sou contra as burocracias, desde que elas tenham função e agreguem à qualidade do turismo no país. Vocês devem estar se perguntando: e o quarto formulário? Ele não serviu para nada, trouxe de volta para o Brasil.

E por aí, como é a entrada de viajantes:

Brasil – na volta para o Brasil, quando você escolhe a opção Nada a declarar passa pela Polícia Federal, mas nunca passei por qualquer verificação. No máximo, recebi um Boa Noite.

Dubai – é preciso pagar uma taxa para entrada no país, fazer registro ocular, preencher um formulário e daí então, ter o passaporte carimbado para entrada no país. Se você for mulher, não espere simpatia dos funcionários. Apenas homens trabalham na área de Imigração.

Panamá – a entrada no país é bem sossegada e todos os turistas que chegam têm direito a Seguro Viagem gratuito por 30 dias.

Argentina – não há dramas, preencha um formulário e entregue antes de ter o passaporte carimbado. Eles checam geralmente o nome do hotel onde você ficará e quando irá embora.

Barbados – se cismarem com a sua cara vão exigir a carteirinha que comprove vacinação contra febre amarela. Do contrário, é bem sossegado entrar no país.

Chile – as filas de imigração e alfândega são gigantescas, e já perdi um voo por este motivo. Mas é o principal problema em aeroportos do mundo, portanto, sem chilique.

Paraguai – entrar no Paraguai por Foz do Iguaçu requer um sorrisinho e o seu documento de identidade. E só. Na saída, a não ser que você tenha cara de muambeiro, não há problemas.

República Dominicana – a fila se forma em virtude do pagamento de uma taxa que deve ser paga antes de ter o passaporte carimbado. Depois há um cachorrinho magro pronto para impedir a entrada de produtos ilícitos no país.

Colômbia – por conta do tráfico de drogas, a revista acontece na bagagem de todos os passageiros. Na saída, apesar de estranho, há um policial especialista em checar os cheiros existentes em sua mala. Sim, ele pede para abrir a mala e cheira tudo.


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

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