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Encontro com o búfalo

Encontro com o búfalo

Há algum tempo, uma pauta me levou em direção à Belém, no Pará. Lá aproveitei para realizar sonhos antigos, como descobrir, de fato, o que era e como era o famoso mercado Ver-o-peso. E de repente, eu estava lá. Sobrevivendo ao calor intenso e castigante da região norte brasileira, e caminhando por entre diversas barracas com os mais diversos temperos e ingredientes da cozinha paraense, bem como, com os objetos e artesanato da cultura indígena. Jambu, pimenta de cheiro, tacacá, tucupi, tranças, palhas, camarões secos, peixes gigantes… Tudo contribuía para um espetáculo de cheiros e texturas. Mas a viagem prometia mais. Num deslocamento de quase três horas de barco, 30 minutos de carro, uns 15 minutos de ferry boat e mais uns 20 minutos de carro novamente você chega à Soure, cidade de pouco mais de 30 mil habitantes e um dos principais pólos turísticos da Ilha de Marajó. Ali, o que vi foi uma região intocada, com vegetação preservada, casas simples, cotidiano pacato repleto de gentilezas.

Melhor do que isso, só a praia de Goiabal. Completamente deserta, nela não há quiosques e, muito menos, sujeira nas areias. Na areia existe apenas areia. No mar existe apenas água. Quando imaginei que as descobertas deste novo Brasil haviam terminado, eis que paisagem adquire tons selvagens com a percepção de um gigante de pele negra, predominante em todo cenário dali para frente. Eram os búfalos. Animais que em fase adulta podem ultrapassar a barreira dos 1200 quilos e que pela Ilha de Marajó servem de meio de transporte para polícia local, ou como atração em locais como a Fazenda São Jerônimo. Comandada pela simpática Dona Jerônima, a estância rodeada de coqueiros foi no passado abrigo para a equipe do reality show No Limite, e atualmente é um dos componentes do turismo local. O passeio no lombo dos búfalos é uma das sugestões, e não fugi desta espécie de batismo local. Gigante em suas proporções, creio que ele nem percebeu minha presença em suas costas, contudo, admito que prefiro o chão firme. Eles não são dóceis e o fato de pesarem 18 vezes mais do que eu, tornou o momento bastante tenso. No entanto, a vida não para e não volta atrás, sendo assim, se tiver a oportunidade, não corra!

Foto: Beto Diniz


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

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