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Carona de Camburão

Carona de Camburão

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que sou uma cidadã correta, do tipo que não encrenca no trânsito, que trabalha como mesária nas eleições e que deseja a paz mundial. Dito isso, há alguns dias lembrei de uma história engraçada vivida na ilha Bocas Del Toro, no Panamá. A região é simplesmente paradisíaca, do tipo mar caribenho de um lado, e muito sol de outro. No centro, seis ou sete ruas compõem a “face urbana” da região, endereço para você encontrar restaurantes de frente para o mar, baladas, lojas de artesanato e gente bonita. Mas gente bonita de todos os cantos do mundo, já que são poucos os panamenhos por aqui. Na ocasião da viagem, o grupo de jornalistas do qual eu fazia parte estava acompanhado do belo Juán, um empresário e espécie de secretário de turismo que se prontificou a mostrar os potenciais de Bocas Del Toro.

No roteiro Juan colocou passeio de barco, visita à Red Frog – um complexo natural e hoteleiro magnífico -, almoço em um restaurante no meio do oceano…e sabendo que éramos brasileiros, o panamenho com jeitão de australiano propôs fechar a noite numa balada. Naquela noite a danceteria promovia a Ladies Night, com muita tequila free. Sorte dele, que viu a mulherada requebrar, dançar solto e mostrar um pouco da sensualidade brasileira. Eu não bebo álcool e depois de curtir umas dez músicas de reggae e outras de black, resolvi que era hora de voltar para o hotel. O grupo então se dividiu e, contando comigo, sete pessoas resolveram retornar ao hotel. Aí então surgiu o problema. Aparentemente, Bocas Del Toro tem uns três táxis, e naquela madrugada todos estavam bem ocupados, já que após uns 20 minutos de espera nada dos amarelinhos surgirem.

Notei que na mesma balada em que estávamos, um camburão com dois policiais fazia uma parada. Raciocinei por 27 segundos e não tive dúvidas ao sugerir com todo o charme de uma cara de pau, uma carona para mim e para meu grupo gigante. Charme para lá, charme para cá, e todo mundo embarcou no camburão. Foram 15 minutos constrangedores tentando manter papos agradáveis para que os policiais panamenhos não pensassem que em seu camburão estava um bando de brasileiros delinquentes. Até claro, uma das jornalistas sugerir que o caminho estava errado, e que eles estavam nos sequestrando. Nada de demais aconteceu. Chegamos, agradecemos e passamos de cabeça baixa pela recepção do hotel, afinal, como explicar a chegada num camburão da polícia? Nunca fui presa – graças à Deus – e a única vez que andei num camburão foi literalmente por uma carona amiga, e acho que vale a dica para quando você se sente cansada, em apuros e sem um táxi para ajudar!

Infelizmente, não tenho uma foto desta inesquecível experiência, mas tudo bem. Ela está bem guardada na memória.


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

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