Desculpe, mas me apaixonei

Outro dia estava me lembrando do filme Uma Cilada para Roger Rabbit. Lembro-me de quando assisti, com meus pais e minha irmã, e como aquela ideia de viver num cenário de filme, interagindo com desenhos me pareceu o melhor sonho do mundo. Naquela época, início dos anos 90, eu adoraria ter conhecido o Pica Pau, o Pernalonga, os Ursinhos Carinhosos, e o estabanado coelho Roger Rabbit. Assim como, todos os meninos queriam cinco minutos com a curvilínea Jessica Rabbit. Produzido por Steven Spielberg, o filme não se tornou nenhum clássico como E.T., mas para mim, até a semana passada era o limite entre existir e não existir, entre o real e a fantasia.

Na semana passada estava em Orlando, na Flórida, e pisei pela primeira vez nos limites do Universal Studios e no Magic Kingdom. Para ser bem sincera, sempre fui do time que achava que as atrações dos parques seriam muito superficiais, e que no auge dos meus 31 anos, não saberia como me distrair num universo infantil. Em outras palavras, não faço o tipo que se deslumbra (fácil). Participei de um tour Vip do Universal Studios, o que implicou uma entrada pelos bastidores, através dos grandes estúdios até desembocar no parque. Caminhada vai, caminhada vem, e, de repente, em meio aos humanos estavam misturados os personagens das mais diversas produções cinematográficas. Era como se de uma hora para outra, você visse o Homem Aranha passando para ir buscar a roupa na lavanderia ou para tomar um café. A reação primeira foi sorrir.

Numa cobertura, eu aguardava a chuva passar quando avistei dois Mínions caminhando em nossa direção. Protegidos por um guarda-chuvas, eles chegaram reclamando, aprontaram travessuras na chuva, fizeram seus sons típicos e reagiram com a naturalidade do set de Meu Malvado Favorito. Nem mais, nem menos. Literalmente me dobrava de rir. Eu não era Gru, Agnes ou Dr. Nefário, mas me senti parte do mundo deles. Dali, a experiência no simulador The Ride 3D: subi, desci, caí de um precipício, fugi de Decepticons. E no final de cinco minutos de chacoalho para lá e para cá, bati um papo – cara a cara – com Optimus Prime e senti que junto com Bublebee tínhamos salvado o mundo.

E ainda teve o Castelo da Cinderela, no Magic Kingdon, que eu já havia visto incansavelmente em fotos, mas que ao vivo ganhou outros contornos. Os contornos de Walt Disney. É meio paranoico pensar como uma pessoa poderia ser tão criativa, e conceber um mundo particular, com regras próprias. Basicamente, se você não é um sonhador, ou se não carrega aquele restinho de inocência, não entende a vibe, não desfruta. Fui recebida por uma longa fila de funcionários – jovens e terceira idade – que sorria e acenava para celebrar a nossa chegada. Aparentemente, o RH da Disney dá valor a quem sabe sorrir, e não para quem tem doutorado.

Se as primeiras reações são as mais honestas, fui pega: me apaixonei. Viver o mundo da fantasia, do Roger Rabbit, me pareceu muito gostoso. Agora estou olhando para minha cachorra, a Mel, adoraria que ela falasse.


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

comentários

INSTAGRAM
SiGA A GENTE
Translate »
>