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Danem-se as filas, seja uma pitaia

Danem-se as filas, seja uma pitaia

Aparentemente, todo início de ano motiva o cérebro a definir novas resoluções – mágicas e definitivas – para a sequência dos 365 dias. Se não for ano bissexto, claro. Mesmo que você nem ache que seus objetivos estejam ruins, se vê numa dinâmica de inconscientes coletivos, obrigando-se a esquecer velhos amores, incluir um regime aqui, menos hipocrisia ali, mais exercício físico em todos os lados, e quem sabe se inserir em alguma modinha com 15 bytes de fama: vale ser hipster, lumbersexual, geek ou qualquer coisa com nome estranho, como uma pitaia. Ontem à noite, num papo via Facebook com um amigo, o tema mudança surgiu. E apenas no quinto dia de 2015, ele já comemora a sua primeira resolução: viajar mais.

O papo ficou no imaginário – sim, não costumo conversar apenas sobre viagens – e me fez pensar sobre nossos costumes como viajantes, e nas escolhas mais seguras que diariamente são feitas nas agências de viagem. Mudar parece exigir demasiado esforço, e o turista se acostuma com o velho Cristo em todas as fotos no Rio de Janeiro, a sair enrolado em fitas do Senhor do Bonfim no aeroporto de Salvador, sem nunca ter pisado no Largo do Bonfim. Uma colega em tour pela Europa deve estar com câimbra nas pernas, já que ela visita uns 256 destinos por dia, e nos braços, tamanho o número de selfies. Daí então, eu pergunto: o que aconteceria se você fosse à Alemanha e não visse o Portão de Brandemburgo? Se você não é amante de arquitetura, nada. Ou se desembarcasse no Rio Grande do Norte e não andasse num dromedário debaixo de um sol de 750 graus? Se você é hipertenso, isso lhe pouparia umas doses de remédio. Uma amiga foi à Nova York, não encarou duzentas horas de fila para ver a Estátua da Liberdade e aproveitou 30 dias de uma viagem delicinha. E, sim, a amiga não está traumatizada.

Talvez a questão seja transformar-se num viajante menos clichê. Nada contra a foto empurrando a Torre de Pisa, talvez eu a empurre quando estiver lá, mas o ponto é entender que esses destinos são muito mais. Muito mais do que aparece naquela foto com o pau de selfie, e querem te oferecer seus outros tesouros. Fui à Paris, tenho a Torre Eiffel em fotos e numa caneca. Mas estou apaixonada pela ideia de conhecer um dos cinco restaurantes mais secretos de Paris, o Foyer de la Madeleine, no subsolo da igreja de Santa Madalena, e onde a refeição custa 10 euros. (Pasmem!) Não gostaria de ir à África para surtar de medo em safáris, mas me enlouquece a ideia de ficar nua para uma massagem, ao ar livre, em algum Lodge no meio das montanhas. Tudo bem saber e visitar todos os pontos turísticos, mas que tal se tornar mais interessante? Essa é minha resolução para 2015!

Foto: Domingos Peixoto


Flávia Lelis, editora de conteúdo online e amante de viagens por natureza

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